Segundo a agência Reuters, agentes contratados pela Rússia deslocaram-se à Venezuela em Janeiro de 2019 para reforçar a segurança do então presidente Nicolás Maduro, numa altura em que o país enfrentava protestos da oposição apoiados pelos Estados Unidos.
CARACAS, Venezuela — Agentes contratados pela Rússia para missões militares secretas deslocaram-se, em Janeiro de 2019, à Venezuela para reforçar a segurança do então presidente Nicolás Maduro, que enfrentava protestos de opositores apoiados pelos Estados Unidos. De acordo com informações avançadas pela agência Reuters, citando duas pessoas próximas a este grupo, a movimentação de terceirizados russos ocorreu num contexto de forte tensão política interna na Venezuela.
Segundo uma terceira fonte próxima aos russos, ouvida pela Reuters, havia efectivamente um grupo de pessoas contratadas por Moscovo na Venezuela, ainda que essa fonte não tenha conseguido precisar quando chegaram ao país nem qual a função exacta que iriam desempenhar. A Rússia, que ao longo dos anos apoiou o governo socialista de Maduro com biliões de dólares, garantiu nessa altura manter-se leal ao líder venezuelano, depois de o opositor Juan Guaidó se ter autoproclamado presidente interino, com o apoio de Washington.
Este episódio surgiu no quadro de uma crise internacional que contrapôs várias potências mundiais, com os Estados Unidos e países europeus a apoiarem Juan Guaidó, enquanto Rússia e China defendiam o princípio da não interferência nos assuntos internos venezuelanos. De acordo com Yevgeny Shabayev, líder de um braço local de um grupo paramilitar ligado aos terceirizados russos, existiam cerca de 400 russos contratados para actuar na Venezuela, embora outras fontes citadas pela Reuters tenham falado em grupos de menor dimensão.
Governo russo nega ter informação sobre o caso
Conforme a Reuters, o Ministério da Defesa russo e o Ministério da Informação venezuelano não responderam aos pedidos de comentário sobre as empresas contratadas para a missão. Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou não dispor de tal informação sobre a presença de contratados russos no país sul-americano.
Ligação ao grupo Wagner
Segundo entrevistas realizadas pela Reuters com dezenas de contratados, seus amigos e familiares, os terceirizados enviados à Venezuela estariam associados ao chamado grupo Wagner, cujos membros — na sua maioria antigos agentes de segurança — já haviam combatido clandestinamente em apoio às forças russas na Síria e na Ucrânia. De acordo com Shabayev, que citou contactos no aparato de segurança russo, o contingente enviado à Venezuela viajou no início dessa semana, um ou dois dias antes do início dos protestos da oposição, tendo partido em dois aviões fretados com destino a Havana, em Cuba, de onde seguiu em voos comerciais até à Venezuela.
Missão seria proteger Maduro de tentativas de detenção
Segundo Yevgeny Shabayev, a tarefa dos terceirizados russos na Venezuela seria proteger Nicolás Maduro de eventuais tentativas de detenção por parte de simpatizantes da oposição infiltrados nas forças de segurança venezuelanas. "Nosso pessoal está lá para sua protecção directa", afirmou, segundo a Reuters. O governo cubano, aliado próximo da Venezuela ao longo de duas décadas, não respondeu aos pedidos de comentário sobre a passagem dos contratados russos pelo seu território.
Marcelino S. Francisco é editor-chefe do Top24horasnews com 8 anos de experiência em jornalismo económico.
