A junta militar do Burkina Faso anunciou ter frustrado um plano para assassinar o líder do país, capitão Ibrahim Traoré, alegadamente arquitectado pelo tenente-coronel Paul Henri Damiba, oficial destituído do poder por Traoré em 2022, com apoio financeiro atribuído à Costa do Marfim.
UAGADUGU, Burkina Faso — As autoridades militares do Burkina Faso anunciaram, num pronunciamento noturno em 7 de Janeiro, terem frustrado um plano sofisticado para assassinar o capitão Ibrahim Traoré, líder militar do país desde Setembro de 2022. Segundo o Governo, a operação teria sido arquitectada pelo tenente-coronel Paul Henri Damiba, o oficial destituído do poder por Traoré, com o objectivo de matar o chefe de Estado e atacar posteriormente outras instituições e personalidades civis importantes.
Segundo as informações avançadas pelo ministro da Segurança, Mahamadou Sana, os serviços de informação do Burkina Faso "interceptaram esta operação nas últimas horas", tendo identificado a intenção do grupo de "assassinar o chefe de Estado e depois atacar outras instituições importantes, incluindo personalidades civis". De acordo com o ministro, o complô contaria ainda com financiamento proveniente da vizinha Costa do Marfim, acusação sobre a qual não houve, até ao momento, qualquer reacção pública por parte do coronel Damiba ou das autoridades marfinenses.
Conforme o comunicado divulgado por Sana em rede de televisão nacional, os alegados conspiradores discutiram formas de eliminar o presidente, por curta distância ou através da colocação de explosivos na sua residência, pouco depois das 23h locais de sábado, 3 de Janeiro, planeando de seguida atacar outras figuras das forças armadas e da sociedade civil. O ministro afirmou ainda que Damiba teria mobilizado militares e apoiantes civis, obtido cerca de 70 milhões de francos CFA — aproximadamente 125 mil dólares norte-americanos — junto da Costa do Marfim, e planeado destruir a base de lançamento de drones do país antes de uma eventual intervenção de forças estrangeiras.
Segundo dados publicados pelo ministro da Segurança, encontram-se em curso investigações que já resultaram em "diversas prisões", devendo os suspeitos "ser levados à justiça em breve", ainda que não tenha sido especificado o número exacto de pessoas detidas. Sana garantiu que a situação está sob controlo e apelou à população para não se deixar "enganar, por ingenuidade, por esquemas perigosos".
O capitão Traoré, de 37 anos, chegou ao poder em Setembro de 2022 após depor o próprio Damiba, que havia assumido o Governo do Burkina Faso em Janeiro daquele ano, na sequência da deposição de um executivo eleito. Após ser afastado, Damiba exilou-se no vizinho Togo, tendo então desejado sucesso ao seu sucessor numa mensagem publicada nas redes sociais. Desde que assumiu a liderança do país, Traoré já enfrentou pelo menos duas tentativas de golpe de Estado, lidando ainda com uma crescente violência jihadista que obrigou milhões de pessoas a abandonar as suas casas.
Apesar dos desafios de segurança e das críticas de sectores locais e internacionais, que apontam autoritarismo e repressão da dissidência ao seu Governo, o capitão Traoré mantém forte apoio popular e projecção continental associada ao seu discurso pan-africanista, num contexto em que as tensões regionais com a Costa do Marfim tendem a persistir.
Marcelino S. Francisco é editor-chefe do Top24horasnews com 8 anos de experiência em jornalismo económico.
