PRETÓRIA, África do Sul — O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, refutou publicamente a classificação dos seus concidadãos como xenófobos nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026, em resposta imediata a uma vaga de violência física que culminou na morte de pelo menos nove cidadãos moçambicanos em Mossel Bay. Conforme o comunicado divulgado pelas autoridades e a cobertura da visita oficial do estadista queniano William Ruto a Pretória, o Governo da África do Sul anunciou o envio urgente de emissários diplomáticos para fora do país com o objectivo de conter os protestos anti-imigração e coordenar politicamente a gestão dos fluxos migratórios transfronteiriços.
POR MARCELINO SANTOS | JORNALISTA DA TOP24HORASNEWS
A mais recente crise humanitária e de segurança eclodiu na sequência de acções de contestação popular associadas à mobilização civil denominada “March on March”, cujo propósito explícito assenta na exigência da saída compulsiva de todas as comunidades de imigrantes até ao esgotamento de um prazo pré-definido pelos organizadores. Segundo dados publicados pela RFI e Digital Mídia Global TV, as manifestações violentas e os ataques a estabelecimentos comerciais de propriedade estrangeira registaram-se com maior severidade na província do Cabo Oriental. Os relatos partilhados pelas vítimas que buscam refúgio detalham um ambiente de extrema agressividade e pânico generalizado no seio das comunidades de imigrantes residentes.
As autoridades associam a eclosão dos protestos à articulação de uma campanha denominada “March on March”, que visa coagir os cidadãos estrangeiros a abandonarem o território até uma data estipulada.
As forças policiais sul-africanas confirmaram de forma directa o óbito de dois cidadãos moçambicanos especificamente na área de Mossel Bay devido aos tumultos desencadeados por esta marcha de contestação. De acordo com os dados históricos apresentados pela Human Rights Watch, as tensões desta natureza constituem um problema recorrente na África do Sul, afectando com frequência os estabelecimentos comerciais e a integridade de residentes vindos de outros quadrantes do continente.
A gravidade da perseguição forçou o início de uma operação de repatriamento em massa, com milhares de imigrantes a abandonarem o solo sul-africano em direção aos seus países de origem, incluindo Moçambique e a Nigéria. De acordo com as informações avançadas pela RFI e Digital Mídia Global TV, o Governo de Moçambique confirmou a recepção e o acolhimento, na última terça-feira, de 545 moçambicanos através da fronteira terrestre de Ressano Garcia. Os cidadãos que regressam ao país descrevem cenários de terror, reportando episódios de linchamentos e indivíduos que foram queimados vivos durante os confrontos na província do Cabo Oriental.
"Os sul-africanos não são xenófobos. Os sul-africanos são africanos. Eles querem viver pacificamente com outros africanos e o nosso povo apela a nós, enquanto líderes, para resolvermos os many desafios associados à questão da migração." — Cyril Ramaphosa, Presidente da África do Sul.
Pelo menos 933 moçambicanos abandonaram a África do Sul através do posto fronteiriço de Lebombo e Ressano Garcia num curto período monitorizado até ao dia 3 de Junho.
Conforme o comunicado oficial emitido pelo director da Autoridade de Gestão de Fronteiras da África do Sul, Michael Masiapato, este volume de saídas processadas inclui tanto saídas voluntárias motivadas pelo pânico como deportações oficiais. A dimensão global do impacto é significativa para Moçambique, uma nação que mantém uma comunidade estimada em cerca de 300 000 cidadãos residentes no país vizinho.
Para além do anúncio sul-africano sobre o envio imediato de enviados de Estado a diversos países do continente para mitigar o mal-estar diplomático, a cooperação regional começou a ser debatida pelas chefias de Estado em Pretória.
O Presidente do Quénia defende a implementação de reformas na União Africana para assegurar investimentos, serviços e oportunidades económicas em todos os países do continente.
Segundo as informações avançadas pelo líder queniano, William Ruto, a contenção sustentável da pressão migratória requer mudanças nas estruturas da União Africana. O objectivo central desta reforma é dotar a organização de capacidade para captar recursos que impulsionem o desenvolvimento económico nos países de origem dos migrantes, minimizando assim a ocorrência de crises humanitárias e choques sociais como os que se verificam em Mossel Bay.
O posicionamento de Cyril Ramaphosa expõe o desafio político de gerir a imagem externa da África do Sul face aos dados alarmantes de violência que assolam as minorias migrantes no país. Enquanto a diplomacia de Pretória tenta redefinir a narrativa argumentando que a população rejeita o sentimento xenófobo, os milhares de moçambicanos que cruzam a fronteira de Ressano Garcia trazem consigo marcas visíveis de uma crise estrutural que exige soluções urgentes e coordenadas entre os governos da região. Acompanhe notícias atualizadas diariamente no Top24horasnews.
Este artigo foi produzido com base nas informações divulgadas pela RFI e Digital Mídia Global TV. O conteúdo foi reescrito editorialmente pelo Top24horasnews, respeitando princípios de rigor, verificação factual e responsabilidade jornalística.