Na quinta-feira, 11 de junho, um professor de inglês da Escola Secundária Geral de Inhassunge utilizou 40 minutos de aula para abordar com alunos da 11.ª classe o uso indevido do ChatGPT, a falta de participação nas aulas e comportamentos de indisciplina.
INHASSUNGE, Zambézia — Na quinta-feira, 11 de junho, um professor de inglês da Escola Secundária Geral de Inhassunge dedicou a totalidade dos seus 40 minutos de aula a uma conversa directa com os alunos da 11.ª classe sobre três preocupações que considera urgentes: o recurso ao ChatGPT para a realização de testes, a ausência de participação activa nas aulas e atitudes de indisciplina perante os docentes. O episódio reflecte um debate crescente nas escolas moçambicanas sobre o impacto da inteligência artificial no processo de aprendizagem.
De acordo com as informações disponíveis, o professor optou por suspender a programação lectiva habitual para endereçar directamente aos estudantes situações que, segundo ele, comprometem a integridade do processo de avaliação e a qualidade do ensino. A principal motivação terá sido a constatação de que alguns alunos recorrem ao ChatGPT para responder aos testes escritos, obtendo classificações elevadas sem que esse desempenho corresponda ao conhecimento efectivamente demonstrado em sala de aula.
O docente mencionou o caso concreto de um aluno que obteve 19 valores nos testes, mas que nunca foi ao quadro, nunca participou nas aulas com a sua opinião e não sabia traduzir para inglês a palavra "eu" — exemplo utilizado para ilustrar a desconexão entre as notas alcançadas e o domínio real da língua inglesa.
Por que razão o professor de Inhassunge proibiu o uso do ChatGPT nas suas aulas?
O professor considerou que o uso do ChatGPT por parte dos alunos para responder a testes representa uma ofensa ao trabalho que dedica à elaboração das avaliações e impede uma aferição real do conhecimento dos estudantes.
Segundo as informações avançadas, o docente sublinhou o esforço e o tempo que investe na preparação dos instrumentos de avaliação, argumentando que os resultados obtidos através da inteligência artificial não reflectem qualquer aprendizagem real por parte dos alunos.
Para além da questão do ChatGPT, o professor abordou dois outros problemas identificados na turma: a recusa em realizar os trabalhos de casa (TPC) e respostas desrespeitosas dirigidas ao docente. De acordo com o relato disponível, quando confrontados com a falta de cumprimento das tarefas, alguns alunos terão respondido ao professor com a expressão "Deixa para o próximo ano" — atitude classificada pelo docente como arrogância.
"Não posso corrigir cópias. Dedico-me muito e gasto muito tempo a elaborar esses testes. O engraçado é que um aluno que tira 19 valores nos testes nunca foi ao quadro, nunca deu a sua opinião nas aulas e nem sequer sabe o que significa 'eu' em inglês." — Professor de Inglês, Escola Secundária Geral de Inhassunge
Qual é o impacto do uso do ChatGPT no desempenho escolar em Moçambique?
O caso de Inhassunge ilustra uma preocupação partilhada por docentes em Moçambique e noutros países: o uso de ferramentas de inteligência artificial para responder a avaliações escolares pode distorcer os resultados e impedir a aferição real das competências dos alunos.
A situação levanta questões sobre a necessidade de adaptação dos métodos de avaliação ao contexto tecnológico actual, bem como sobre a importância de educar os estudantes para um uso ético e responsável das ferramentas digitais disponíveis.
Com base nas informações disponíveis, não foram anunciadas medidas formais por parte da direcção da escola ou das autoridades de educação do distrito de Inhassunge na sequência deste episódio. O professor não divulgou publicamente quaisquer decisões institucionais tomadas após a aula.
Não há informação sobre medidas disciplinares ou institucionais formais adoptadas na sequência do episódio. O debate sobre a regulação do uso do ChatGPT nas escolas moçambicanas permanece em aberto.
O Top24horasnews acompanhará eventuais desenvolvimentos sobre políticas de uso de inteligência artificial nas escolas moçambicanas, um tema que ganha crescente relevância no contexto educativo nacional.
O episódio ocorrido na Escola Secundária Geral de Inhassunge é um sinal dos desafios que os docentes moçambicanos enfrentam num ambiente escolar cada vez mais marcado pela presença de ferramentas digitais como o ChatGPT. A opção do professor por dedicar uma aula inteira a este debate evidencia a urgência sentida por muitos educadores em encontrar respostas para questões que as políticas educativas ainda não regularam de forma clara. Entre a indisciplina, a desmotivação e o recurso à inteligência artificial, a sala de aula moçambicana está a atravessar uma transformação que exige atenção de todos os actores do sistema de ensino. Top24 Horas News – A informação que move Moçambique, 24 horas por dia.