POR MARCELINO SANTOS
O jurista Roberto Aleluia afirma haver indícios claros de que armas roubadas nos protestos pós-eleitorais de 2024 estão a ser usadas em crimes direcionados contra agentes da PRM na capital.
MAPUTO, Moçambique — Uma declaração feita recentemente pelo reputado jurista moçambicano Roberto Aleluia gerou uma forte onda de repercussão nos círculos políticos, jurídicos e policiais de Moçambique. Segundo o especialista, existe uma probabilidade real e alarmante de que os recentes assassinatos de membros da Polícia da República de Moçambique (PRM) na Cidade de Maputo estejam a ser perpetrados por indivíduos na posse de armamento subtraído durante a última vaga de manifestações pós-eleitorais.
O alerta surge num momento em que a segurança pública na capital enfrenta sérios desafios estruturais. Roberto Aleluia, conhecido pela sua análise crítica e rigoroso embasamento legal, adverte que o cenário atual é muito mais grave do que aparenta. O jurista argumenta que os homicídios não devem ser interpretados pelas autoridades de forma isolada como simples criminalidade comum ou ações de bandidos reincidentes, mas sim como um reflexo colateral e direto da profunda instabilidade social e política que se instalou no país.
O balanço das perdas: Cinco execuções em dois meses
As estatísticas que sustentam a preocupação social são severas. Desde a paralisação formal das manifestações de rua, foram registados pelo menos cinco assassinatos de agentes da corporação nos últimos dois meses. A maioria destas ocorrências teve lugar em bairros periféricos da Cidade de Maputo, caracterizando-se por dinâmicas de emboscada e, invariavelmente, com o uso comprovado de armamento de calibre militar.
Durante os confrontos violentos e invasões a postos policiais registados no pico das contestações, foram documentados episódios de subtração de armamento leve e pesado que se encontrava sob custódia estatal. O desvio deste material para o circuito clandestino da capital eleva a vulnerabilidade dos agentes policiais que realizam patrulhamentos rotineiros de segurança e manutenção da ordem.
"Este quadro levanta uma série de questões institucionais urgentes: as armas roubadas estão, de facto, a ser usadas para ataques cirúrgicos e direcionados à corporação? Há uma coordenação clandestina por trás destes homicídios? A PRM e o Governo mantêm o controlo efetivo da situação de segurança?" — Roberto Aleluia, jurista e analista político moçambicano
Pressão política e chamada ao Parlamento
O clima de incerteza em Maputo está a forçar reações no xadrez político nacional. Diante da gravidade dos factos, cresce nos bastidores a pressão para uma intervenção urgente do Ministério do Interior, cujo titular poderá ser brevemente convocado a comparecer perante a Assembleia da República (Parlamento) para prestar esclarecimentos detalhados sobre o nível de controlo do armamento circulante, as medidas de proteção aos agentes e as garantias dos direitos civis.
| Indicadores de Crise Identificados | Impacto Institucional e Medidas Exigidas |
|---|---|
| Homicídios Registados | Cinco agentes da PRM abatidos nos últimos dois meses em Maputo. |
| Origem do Armamento | Fortes indícios de utilização de armas desviadas de esquadras em 2024. |
| Perfil das Ocorrências | Ataques com armamento militar concentrados nos bairros periféricos. |
| Escrutínio Legislativo | Proposta de audição do Ministério do Interior no Parlamento de Moçambique. |
O debate que agora se instala entre juristas, ativistas de direitos humanos e decisores políticos expõe a fina linha divisória entre a necessidade de reposição da autoridade do Estado e a preservação das liberdades democráticas. Enquanto as investigações criminais prosseguem sob forte sigilo, a guarnição policial da capital mantém-se em estado de alerta máximo.
O desfecho desta crise de segurança dependerá da capacidade operativa das forças de investigação em rastrear os dispositivos balísticos roubados e neutralizar as células criminosas.Acompanhe notícias actualizadas diariamente no Top24horasnews.