POR MARCELINO SANTOS
O antigo presidente moçambicano defende a edificação de instituições públicas confiáveis e transparentes como o único caminho viável para mitigar a vaga de violência pós-eleitoral que abala o continente.
Numa entrevista exclusiva concedida ao prestigiado canal televisivo sul-africano SABC News, o ex-presidente da República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, destacou a corrupção estrutural e a má governação como as razões primárias e mais profundas para a persistência dos focos de instabilidade no continente africano. Para que a África possa prosperar socioeconomicamente, Chissano enfatizou que é urgente e imperativo estabelecer instituições públicas confiáveis que sirvam os cidadãos com integridade
O Diálogo de Magaliesburg e as crises pós-eleitorais
As declarações do histórico estadista foram proferidas à margem do Diálogo Africano de Paz e Segurança, um fórum de alto nível realizado em Magaliesburg, na África do Sul. Durante o evento, Joaquim Chissano abordou com particular preocupação o fenómeno da violência pós-eleitoral, um problema grave e generalizado que tem caracterizado as transições e processos de sufrágio em muitas nações africanas nos últimos anos.
"Uma área crucial em que devemos nos concentrar de forma prioritária é a realização de eleições verdadeiramente confiáveis. A violência pós-eleitoral tem crescido significativamente no nosso continente, o que reflecte a extrema volatilidade e fragilidade dos nossos actuais processos eleitorais." — Joaquim Alberto Chissano, em entrevista à SABC News
O desafio da integridade e o combate à fraude
O antigo governante moçambicano mencionou ainda o aumento expressivo dos desafios logísticos, políticos e jurídicos que envolvem a condução dos pleitos em África. Chissano apontou que as frequentes acusações de fraude eleitoral, a falta de transparência na centralização de dados e a manipulação direta de votos destroem o pacto social entre governantes e governados.
| Ameaças Identificadas por Chissano | Pilares para a Estabilização de África |
|---|---|
| Corrupção e Má Governação: Fragilização do tecido social e das contas públicas. | Instituições Confiáveis: Criação de mecanismos públicos transparentes e independentes. |
| Manipulação de Votos: Falta de transparência na gestão dos editais e contagens. | Eleições Credíveis: Aceitação mútua dos resultados com base na verdade documental. |
| Volatilidade Política: Crescimento alarmante de conflitos violentos pós-sufrágio. | Diálogo e Segurança: Fortalecimento dos canais diplomáticos regionais. |
A análise minuciosa apresentada pelo antigo Chefe de Estado reforça a premissa de que a transparência processual e a integridade institucional não são meras formalidades jurídicas, mas sim os pilares fundamentais para fortalecer as democracias africanas. O portal Top24horasnews continuará a acompanhar os debates estratégicos sobre a governação e a segurança na região austral, trazendo análises detalhadas sobre o impacto destas reformas no quotidiano dos cidadãos. Acompanhe notícias actualizadas diariamente no Top24horasnews.