POR MARCELINO SANTOS
O polémico cantor moçambicano Doppaz voltou a incendiar as redes sociais com novas declarações audazes e de tom provocatório dirigidas a figuras do cenário político nacional.
MAPUTO, Moçambique — Recém-saído de um período de reclusão institucional, o músico moçambicano Doppaz assinalou o seu regresso à esfera pública e mediática com declarações que dividiram as opiniões dos internautas neste domingo, 28 de Junho de 2026. Num vídeo de contornos virais distribuído nas principais redes sociais e plataformas digitais de mensagens, o artista sinalizou que a sua postura irreverente e o seu posicionamento crítico face à governação nacional permanecem inalterados e em pleno funcionamento.
Durante a sua intervenção audiovisual, o intérprete desvalorizou o impacto pedagógico ou dissuasor da sua recente passagem pelas células das autoridades judiciais. "Não vou ficar calmo só porque estive preso! Ficar calmo para quê? Eu tenho cartão de membro!", disparou o músico. O artista escusou-se, no entanto, a detalhar a natureza, o estatuto ou a agremiação partidária correspondente ao referido "cartão de membro" evocado no seu desabafo.
A controvérsia em torno da gravação ganhou maior escala quando Doppaz teceu comentários directos ao ex-presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi. Em tom informal e satírico, o criador de conteúdos musicais recorreu à expressão "pequenote" para caraterizar e fazer menção à figura do antigo estadista moçambicano, facto que despertou um debate imediato entre apoiantes e detractores sobre os limites da liberdade de expressão e o respeito pelas figuras de Estado.
Esta não é a primeira ocasião em que o cantor se vê envolvido em polémicas de teor judicial e criminal motivadas por discursos e intervenções virtuais agressivas na internet. Anteriormente, as autoridades policiais e o Ministério Público já haviam monitorizado e responsabilizado o músico por alegações polémicas associadas a difamação e incitação, episódios que culminaram na sua detenção temporária.
Diversos sectores da sociedade civil e juristas têm reiterado o aviso de que o espaço virtual está sujeito ao ordenamento jurídico moçambicano. Embora uma parte considerável de seguidores e jovens encare as intervenções de Doppaz como mero entretenimento ou crítica social informal, outros grupos apelam à moderação para evitar reincidências de foro judicial.
O cenário mediático e do entretenimento nacional aguarda para perceber se o novo posicionamento originará novas acções ou interpelações pelas instâncias competentes. Acompanhe notícias actualizadas diariamente no Top24horasnews.
Marcelino S. Francisco é editor-chefe do Top24horasnews com 8 anos de experiência em jornalismo económico.