
A Coligação Aliança Democrática (CAD) está em rota de colisão com a Renamo e a Comissão Nacional de Eleições (CNE) após a rejeição da sua candidatura às VII Eleições Gerais e IV Provinciais. A liderança da coligação alega perseguição política contra Venâncio Mondlane, candidato presidencial suportado pelo grupo, enquanto o líder da Renamo, Ossufo Momade, atribui a falha à incapacidade técnica da CAD em organizar a documentação exigida.
MAPUTO — A tensão política em Moçambique intensificou-se no último sábado, quando a Coligação Aliança Democrática (CAD) promoveu uma marcha em Maputo para contestar a decisão da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de rejeitar a sua candidatura para o escrutínio de 9 de outubro. Durante a manifestação, que ligou a Praça dos Combatentes à Praça da Paz, o presidente da CAD, Manecas Daniel, qualificou a medida dos órgãos eleitorais como política e não técnica.
Segundo Manecas Daniel, a exclusão da CAD do processo eleitoral é o culminar de uma perseguição movida por Ossufo Momade, presidente da Renamo, contra Venâncio Mondlane. Mondlane, que foi quadro de destaque no maior partido da oposição, afastou-se da “perdiz” em maio último após divergências internas com Momade. De acordo com o líder da coligação, esta hostilidade estaria a influenciar a atuação dos órgãos de gestão eleitoral.
O dirigente da CAD contestou a fundamentação jurídica da CNE, afirmando que a entidade se socorreu de questões da fase de inscrição, as quais consideram já estarem ultrapassadas. “Isto é meramente político, por isso, quero dizer aqui, publicamente, que Ossufo Momade está a perseguir Venâncio Mondlane e isso deve parar”, declarou Manecas Daniel aos jornalistas.
Em sentido oposto, Ossufo Momade refutou categoricamente qualquer envolvimento na inabilitação da CAD. Em declarações públicas recentes, o líder da Renamo sublinhou que os dirigentes da coligação são os únicos responsáveis pela rejeição, argumentando que a organização falhou na preparação e entrega da documentação necessária dentro dos prazos legais estabelecidos para o processo de qualificação.
Apesar do revés, a CAD mantém a confiança na via judicial. A coligação já interpôs um recurso junto do Conselho Constitucional. Os apoiantes da causa, durante a marcha, apelaram diretamente à presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, com dísticos que pediam justiça e o cumprimento rigoroso da lei, numa tentativa de reverter a decisão da CNE e viabilizar a participação da coligação no pleito eleitoral de outubro.
Marcelino S. Francisco é editor-chefe do Top24horasnews com 8 anos de experiência em jornalismo económico.